Sábado passado meus amigos do meu trabalho antigo foram lá para casa. A proposta era jogar Wii, mas claro, aproveitamos para fazer uma mesa de guloseimas, porque quando a gente cresce é assim: a mãe não fica mais por perto, regulando, e a gente enfia o pé na jaca quando quer. Aí, fode tudo.
Cachorro quente, esfirra, quibe, brigadeiros, refrigerante, suco de caixinha, guacamole com doritos. Enquanto dois jogavam, dois se empanturravam.
Foi suuuuuuuuper divertido, mas teve um preço.
Além do corpo doendo, normal para quem não se mexeu muito nas últimas semanas, o problema mais sério mesmo foi o pico de insulina causado por tanto açúcar, farinha de trigo refinada, conservantes, aromatizantes. No domingo, eu achava que a morte era a única solução. Quando eu não estava dormindo ou semi-catatônica, como se um zumbi tivesse comido o meu cérebro, eu estava na geladeira procurando mais comida. E sem querer fazer nada, nem ver tv, nem tocar piano, nem ficar fuçando na internet, nem querer sair de casa… Triste.
Sentindo culpa, passei a segunda-feira remoendo – eu não sei porque a culpa não bate na hora, só deixa para bater depois que a besteira foi feita. Eu não tenho mais idade para comer tão mal. Não estou falando exclusivamente desse sábado, que foi maravilhoso, mas eu falo do pecado nosso de cada dia. Um chocolate aqui, um pedaço de panetone ali, uma taça de sorvete com cobertura…
Mas se lamentar não resolve nada e eu sou uma pessoa de ação. Comecemos olhando para o lado positivo da coisa: eu tenho a sorte de gostar de comida de verdade, sem aditivos, então, não é nenhuma tortura.
Comecei limpando o armário. Quando a gente é criança faz comercial de sabonete no espelh odo banheiro, né? Pois ontem eu fingi que a Dra. Gillian McKeith, do programa You Are What You Eat, estava atrás de mim, reclamando do que via e coloquei numa sacola biscoitos, bolachas, chocolates, pó para sopa e pudim industrializado, arroz branco… A diferença é que eu não joguei no lixo, como veremos a seguir.
Depois passei na loja de produtos naturais: arroz integral daquele bem cascudo, quinua (que já falei aqui), gersal (mistura de gergelim com sal, que eu adoro), pasta para missô, folhas e frutas. A diferença para o programa é que eu sabia o nome das coisas e como preparar.
Primeiro fiz a quinua. Ontem, pela primeira vez na vida, fiz lentilha, que é a coisa mais fácil de fazer e ficou uma delícia. Hoje acordei mais cedo e fiz shimeji. Coloquei tudo na caixinha plástica com separações (porque eu não como nada misturado) e trouxe para o almoço. Estou contando os minutos, porque eu sei que está bom demais – muito melhor do que a comida que eu tenho experimentado nos self-services perto daqui.
Está aqui a foto, para não me deixar mentir:

O Rafa concordou em jogar os industrializados fora – ou dar para o porteiro, que está morto de feliz com a sacola de venenos. Embora não vá comer as mesmas coisas que eu, entramos em acordo para evitar trazer para casa “comidinhas do mal”.

