Journalist, cat lover, knitter, ballerina wannabe, a kind of nerd. Loves her Panda and their cats

Tag: ballet

Thursday, March 17th, 2011

Inclusão digital

Sabe uma coisa bizarra que eu descobri? Que dentre as minhas colegas matriculadas na turma do ballet adulto iniciante, apenas eu e outras duas sabemos o que é o Ballet Stagium. As demais com quem conversei jogaram no Google, pesquisaram dentre as escolas que parecessem mais decentes, viram qual a logisticamente mais viável e se matricularam.

Não só as minhas colegas de turma, mas muitas outras que estão matriculadas ali. A Marika mesmo me falou que é o efeito negativo da inclusão digital. As pessoas raramente vão além das informações que procuram. Se procuram só por uma escola, poucas são as que têm curiosidade de ler sobre a história da escola, o currículo dos professoras, as montagens que já fizeram… e isso tudo conta e muito.

E lá vai a tia aqui explicar quem era Marika Gidali, a importância do Stagium, a determinação de não importar repertórios e buscar a valorização da cultura brasileira (História, sons, canções, figurino, maquiagem, gestual…), de formação de platéia nos confins do país, a resistência na época da ditadura militar, etc, etc,etc.

Eu falando: “tenham orgulho de dizer que estudam aqui. tenham orgulho de dizer que fizeram aula com a Marika”. Mas, sei lá… não sei se entenderam ou se isso vai fazer alguma diferença. Sei que na minha faz. Não só pelo fato de finalmente ter encontrado uma escola espetacular, com ensino maravilhoso, sério, competente, como fazer ter passado ali, por aqueles corredores e poder dizer que contribui um micro pouquinho com a história do Stagium.
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Retomei da dieta detox que a
Adri tinha me recomendado. Estava indo tudo bem. Cheguei a fazer 6 dias corridos e os resultados foram IMPRESSIONANTES. Sabe o que é ouvir de todo mundo “como você emagreceu!”? Sabe o que é a sua calça, em apenas uma semana, passar de ok para quase caindo? Eu não sabia e fiquei chocada – e feliz, claro :)

Mas aí veio a gripe e o feriado prolongado e complicaram tudo. É uma dieta super restritiva, mas o melhor de tudo é que não me obriga a tomar nenhuma fórmula, nem nada industrializado. Estou aproveitando para colocar um pouco em prática meus parcos conhecimentos macrobióticos. Sem açúcar, sem embutidos, sem frituras, sem conservantes, sem farinhas refinadas, sem laticínios, sem proteína animal (sem carne, sem peixe, sem frutos do mar, sem ovos… no máximo, pode frango, mas eu nem gosto muito, então tô comendo a cada 3 dias e olhe lá). Mas também não pode tomate, brócolis, berinjela e pimentão, nem banana. Também não pode água gelada, e essa última aí tá me matando! Juro! É a parte mais difícil :-/

ATENÇÃO: a dieta foi me indicada depois de uma consulta com a terapeuta holística Adriana Carla de acordo com os sintomas que eu relatei. Não tente fazer isso em casa sem acompanhamento. Ou tente, porque é tão simples e saudável que eu acho que vale a pena – só não fique chateada se não surtir o mesmo efeito.

Daqui 8 dias, eu vou poder retomar algumas coisas, como pimentão que eu adoro, frutos do mar. Outras coisas, é óbvio, o ideal é banir mesmo da alimentação, mas aí muita calma nessa hora, que no dia em que eu conseguir tirar de vez o açúcar da minha vida, será o dia em que eu farei 32 fouettés en dehors com a perna esquerda.

Se eu contar com o que a professora de Yoga diz, eu tenho a eternidade inteira para conseguir as duas coisas :)

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Thursday, March 10th, 2011

Vó Maria

Os dois últimos dias de carnaval foram de gripe e cama e remédio e nariz pingando e impaciência. Só não tive febre, mas tudo o mais que acompanha uma gripe me abateu. Pior que isso, só se o Panda não existisse e eu ainda tivesse que me levantar para fazer o que comer e comprar remédio, como nos primeiros tempos nesta cidade.

Aí, o estado de ânimo que já não era dos melhores piorou um bocado com a morte da minha avó ontem, na quarta-feira de cinzas. Nada grave, pelo contrário. Já esperado e, correndo o risco de ser mal interpretada aqui, digo também que até desejado por todas as pessoas que a queriam bem. Minha avó tinha 99 anos. Viveu muito mais do que o IBGE garantiu que ela iria viver. Muito bem vividos. Velhice tranquila, amparada pelas filhas e netos. Sem culpas, sem remorsos, sem saudades. Morreu em casa, às 10h30 mais ou menos. Simplesmente cansou e parou de respirar. Simples assim, do jeito que ela era. Foi velada e enterrada no mesmo dia, às 17h, sob a cantoria de quem estava presente – ô mulher pra gostar de cantar! Tenho certeza que devem ter cantado alguma música do Nelson Gonçalves, que ela amava :)

Embora a gente saiba que é isso aí. Embora a gente saiba que a morte é a única coisa certa que temos na vida. Embora a gente saiba que tudo que podia ter sido feito foi feito. Embora a gente saiba que a tranquilidade dela foi a certeza que não tinha nenhuma pendência com ninguém, nem consigo mesma. Embora a gente siaba que ela tinha 99 anos e já estava roubando aí a expectativa de vida de alguém. Não dá para não ficar triste com a saudade. Afinal, desde que eu me entendo por gente eu convivo com a presença dela, de perto ou de longe.

Continuo gripada, mas já no trabalho, com a cabeça pesada, completamente entupida e morta de preocupada se será amanhã que terei minha primeira falta no ballet. Tenho horror a primeira falta porque depois que se falta uma vez, pronto, parece que tudo desanda e aparecem mil outros motivos para faltar.

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Minha avó me lembra pipoca, tapioca bem grossa com côco e torrada com manteiga. :)

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Eu ainda me lembro do esculacho que levei quando ela viu minha tatuagem das costas, que já tinha quase um ano e eu evitava mostrar para não contrariá-la. Mas nesse dia eu esqueci e ela viu:

- O que é isso aqui? – falou, beliscando as minhas costas

- É a minha tatuagem, vó. – bom, agora ela já viu, agüente o tranco.

- Ô Clara, vc não tem vergonha, não? Fazer uma desgraça dessa no teu corpo? Isso é coisa de malandro, de vagabundo, de maconheiro…

- Ei, minha vó, alto lá! A senhora sabe que eu trabalho, que eu tô na faculdade, que eu nunca reprovei de ano, que eu ajudo a minha mãe a pagar as contas, que eu nem bebo (naquele tempo ainda não) quanto mais botar um cigarro do que quer que seja na boca. Então, a senhora sobre a língua quando for me chamar de vagabunda. Me chame de outra coisa, porque isso aí eu não aceito, não.

Ela faz um muxoxo, vira a cara e sai andando. Menos de 10 segundos depois, volta:

- Mas tinha que ser um calango!?!?!?!

Aí eu vi, que toda a moral já era, mas mantive a cara séria:

- Mas não foi a senhora mesmo que me falou que calangos são bichos benéficos, que protegem as plantas, que comem insetos? Que é um bicho de Deus?

Ela faz outro muxoxo, vira a cara e sai andando de novo, pra voltar, de novo, menos de 10 segundos depois:

- Mas tinha que ser preto?!?!?!?! Não podia ser pelo menos azul, verde, colorido?

- Pois tá, vó. O próximo calango que eu for fazer eu venho aqui antes para a senhora escolher a cor, tá bom?

E ela sai rindo, dizendo para pelamordedeus eu não fazer mais aquilo comigo. Cinco anos depois, eu fiz outro calango no pé. Preto. Mas esse ela não viu :)

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Monday, January 31st, 2011

Te cuida, Natalie

Ok. Morram de orgulho :)Então, hoje foi a 7ª e última aula do curso de férias de ballet clássico adulto iniciante, promovido pelo Ballet Stagium. E a última aula que tivemos com a Marika Gidali pelos próximos 10 anos, de acordo com a mesma.

É que ela atualmente só dá aulas mesmo para as crianças do Projeto Joaninha, um programa social para crianças carentes que a companhia mantém. Por um acaso muito ocasional do destino é que tivemos a sorte de termos a oportunidade de fazer aula com ela. E que aulas!

É muito curioso aprender algo com alguém famoso em seu métier. Eu fico na maior expectativa para ver como vai ser. Se o professor é tão bom quanto o profissional, visto que saber fazer e saber ensinar os outros são duas qualidades bem distintas. Também fico na expectativa para ver como é a pessoa de perto, como ela age fora de cena.

Para a minha gratíssima surpresa, todos os grandes nomes com quem tive a chance de ter aulas foram excepcionais professoras e realmente pessoas muito educadas, muito cordatas, muito agradáveis – graças a Deus!

Eu não gosto da palavra “humilde”, porque para mim soa como auto-depreciação. A verdade é que quem é realmente muito bom, não se pavoneia. Sabe que é e pronto. A gente que é fã é que faz o serviço de “pavoneação”.

Aí, como eu disse, hoje foi o último dia de aula com ela. Aulinha extra, já que o curso tinha a previsão de ter apenas 6 aulas, mas ela fez questão de dar aula até o último dia do mês. A partir de quarta-feira, a professora passa a ser Geralda Bezerra, que eu não conheço ainda, mas dizem que também é ótima. Eu confirmo e conto aqui depois.
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Mas esse leriado todinho, esse nariz de cera aí acima foi só para contar o que eu realmente queria aqui embaixo.

Quando estava fazendo a matrícula, preenchendo o cheque, a Marika disse:

- Você se saiu muito bem.

E eu, com cara de pata, olhão arregalado:

- Eu!?
- É. Você foi muito bem.
- Afff… e você diz isso agora? Depois de várias sessões de terapia? – eu falei, rindo.
- Mas a gente só fala essas coisas no fim do curso. Antes não. Só tem que parar de fazer careta. Ah, não faz terapia, não, que estraga tudo. vem dançar com a gente que é muito melhor.

E agora eu não durmo mais. Vocês vão ter que me agüentar, porque eu estou toda convencida.
Mãe, Pai, vocês já podem dizer para os amigos de vocês que têm uma filha que faz aula no Ballet Stagium, teve aula com a Marika e foi elogiada pela própria. :)

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Friday, January 14th, 2011

Da série “Lições para a Vida Toda”

Na aula de ballet da quarta-feira, eu estava conversando com a Márika que trabalhar corpo sempre foi o meu problema. Na minha família o trabalho intelectual sempre foi mais valorizado. Mente primeiro, com todos os cursos de línguas, piano, além da escola, aulas extras… Depois a alma, a psiquê, e eu fiz terapia durante anos da minha vida e faço atualmente. Mas corpo, não. E não que é que a minha mãe não me incetivasse. Ela me dava o maior apoio, mas como eu não tive essa vivência em casa com a mesma intensidade que tive nas outras áreas só apoio era pouco. Eu precisava de alguém comigo 24h, de muleta mesmo, para eu conseguir superar minhas limitações.

Na verdade, o que eu tinha mesmo era vergonha. Pq eu me achava feia, sem graça, depois na adolescência, eu me achava gorda e o mundo do ballet infantil é uma merda porque no meu tempo mãe dona de casa era tipo 80% das mães. E elas acompanhavam as filhas no ballet, ficavam amiguinhas da professora e claro, os papéis de destaque iam para as filhas, que podiam até ter talento, veja bem, mas ninguém me elogiava e a minha baixa auto-estima só piorava.

Aí veio a adolescência e eu engordei, por problema de saúde. E quando voltei para o ballet, tive que ouvir várias vezes isso, que eu era pesada para os saltos, que eu tinha que perder peso. Resultado: eu só aguentei uns 6 meses.

Voltava para a casa sempre chateada, com vontade de chorar, com vergonha, com raiva de mim. Isso tudo eu contei para ela. E sabe o que ela me respondeu?

- Eu vivia chorando.

E eu: oi?
 
- Eu chorando lá na barra e fazendo o exercício e a professora perguntava: “por que chora, menina?” (imitando a voz da mala). E eu respondia: “porque eu sou chorona”.

Moral da história: se ela teve dificuldades, se ela também sofreu com a pressão e chorou, por que nós não podemos chorar também?

A diferença foi que ela continuou, mesmo chorando, fazendo o que tinha de ser feito, e eu não aguentei. Resultado: eu sou jornalista e ela é a lenda Márika Gidali

Em resumo, não importa quanta força você tem, mas sim o uso que você faz dela. O que faz a diferença é a sua capacidade de resistir.
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Antes de fazer aula no Stagium, eu ponderei mil coisas. A mais forte delas foi: mas o que eu vou fazer lá? É muita areia para o meu caminhão. Eu não preciso de tuuuudo isso.

Olhaí, a baixa auto-estima de novo no mundo: eu sou ruim demais para lá. Todas as outras iniciantes devem ser tipo nível profissional da coisa. Eu vou me envergonhar de novo.

E nem foi assim.

O nível das alunas é tão iniciante como o meu. As aulas estão fazendo jus a fama da professora. São super puxadas e ótimas. Você termina destruído, ao mesmo tempo que feliz. Tenho notado melhoras consideráveis (imagina daqui uns tempos).

E sabe que eu nem sinto vontade de chorar? :)

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