Fazer esse pulover é a prova de que a persistência vale a pena.
Em 2009, conheci o Rafael e começamos a namorar. Quis logo fazer uma blusa em tricô para ele, mas fui alertada pelas colegas tricoteiras mais experientes da maldição: nunca tricote um pulover para o seu namorado. Ignorei o conhecimento popular e foi isso que aconteceu: nos separamos. Voltamos alguns dias depois e eu deixei o trabalho inacabado no fundo da gaveta, para todo sempre, para a maldição não acontecer de novo.
Mas aí casamos. E no primeiro inverno seguinte ao casamento, ou seja, agora, descobri que ele não só não sabia o que era lã de verdade (isolante térmico), como também não tinha nada, nem uma blusa desse material, apesar de ter morado uns tempos em Paris. Aí, desentoquei a blusa para terminar o que havia começado um ano antes.
Na verdade, desmanchei tudo e comecei do zero (uma vez). A técnica utilizada era a de top down, que é super simples e não requer cálculos prévios. Mas aí vi que o pescoço estava grande demais. Demanchei tudo (pela segunda vez) e recomecei do zero – aí quis inovar e fazer uma trancinha no ombro, para ser um detalhe especial. Mas aí fiz a trança errado e tive que desmanchar tudo (pela terceira vez) para arrumar a trancinha. Fui tricotando, tricotando, tricotando… e vi que a cava estava muito larga. Desmanchei quase tudo (pela quarta vez) para diminuir a cava e tricotei até terminar… Quando eu vi que estava enoooooooooooorme :-s
Desmanchei tudo pela quinta vez. E agora eu tinha um desafio pela frente: ele ia viajar a trabalho em 5 dias para Porto Alegre – previsão de 3 graus já na chegada. Liguei o turbo das agulhas e recomecei pela sexta vez.
E… voilà!
Eis o resultado. Um Panda listrado e quentinho :)

(a foto é do celular, então, releve aí a qualidade)
Poucas pessoas revelam o quanto é preciso ter prática para fazer bem feito um trabalho manual. Eu revelo que nunca fiz uma roupa. Faço bicos de croché, flores, guardanapos, tapetes, mantas e polainas não satisfatórias por enquanto.
Uma tia disse que em cada ponto coloca um pouco do amor pela pessoa que recebe uma das toalhas que ela pinta, borda e crocheteia.
No fundo você queria o Rafael de volta e teve a coragem de guardar o blusão inacabado. Eu não faria isso. Você é uma mulher de fé.
Desejo felicidades compartilhadas para este casal abençoado!
Um abraço!
Lembrei do sueter verde mágico que me manteve quentinha ano passado