Graças à água não fluoretada no estado do Ceará, pelo menos durante a minha infância, não sei agora, eu tenho cárie desde que me entendo por gente e tenho dente na boca.

Se alguém lê este blog há mais de dois anos, deve lembrar que eu fui ao dentista em 2007 (procura em junho, julho, agosto…), depois de 10 anos longe. Troquei todas as restaurações e fiz mais algumas, porém, desde então não tive mais paz. Nunca tive dentes sensíveis e passei a ter, um horror para quem, como eu, adora sorvete e chupar gelo (adowro!!!).

Aí, para piorar, um dente que estava infiltrado já naquele tempo resolveu se rebelar e reclamar pra valer. Ok, já sabia, era um canal.

E agora? Eu, que nunca fiz canal na vida, como ia ser? Dói? Dói muito? Eu vou sobreviver?

Como eu não adio nada, nem coisa boa, nem problema, marquei dentista e fui ontem. Achava, na minha cabeça, que ela ia só olhar, tirar radiografia e marcar o retorno. Mas que nada. Já começou ontem mesmo.

Tomei 3 doses e meia de anestesia, no fundo da boca, na base do dente, e depois, quando abriu, direto na polpa. Era isso ou bem doida que ninguém tocava em mim. (Eu preferiria anestesia geral, mas nenhum profissional toparia…)

Assim que ela terminou de abrir, puf, a eletropaulo cortou a luz. Se fosse 5 minutos antes, eu estava ferrada. Abriu, e aí eu tava igual ao pintinho, num tava tintindo nada, nem meu dente, nem o meu lábio inferior, nem o meu queixo. Metade de baixo da boca morta, tipo o Silvester Stallone.

Ela tirou o que tinha para tirar, lavou, passou remédio, colocou curativo e marcou retorno daqui 10 dias. Saí de lá e como era pertinho do trabalho do R. fomos almoçar. Agora, como assim almoçar, né? Como é que mastiga quando 1/4 da sua boca não responde? Nem beijar dava, era uma coisa ridícula e eu ainda tive que aguentar o namorado tirando onda com a minha cara, sem dó, nem piedade.

Ele foi comer e eu fiquei só no smoothie de frutas vermelhas, que tava bom, ainda bem, mas eu queria mesmo era comida. Arroz, feijão, bife… Cheguei em casa, a anestesia passando, o beiço e a língua formigando, e eu fazendo sopinha de cenoura, brócolos, vagem e cebola – diliça! mais sem gosto, só isopor.

Eu estava morrendo de medo de doer horrores quando o efeito anestésico passasse, mas você sabe que nem doeu? Tinha comprado um remédio para dor prescrito pela dentista, mas nem precisou porque só dói quando eu mordo e pressiono o dente. Mas terminei tomando uma pílula hoje de manhã porque à noite tem jantar com os amigos desocupados e eu quero comer de verdade. (Aliás, eu não estou acreditando na potência do remédio que ela me receitou. Negócio instantâneo, coisa de louco!)
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Eu ainda preciso agradecer a Darwin e a teoria da evolução que me fez uma pessoa sem nenhum dos cisos e me poupou de mais esse vexame na cadeira do dentista.
Horror a dentista, percebeu?


2 Responses to “O primeiro canal a gente nunca esquece”

  1. 1 Cristiane

    Já tive que fazer essa praga de canal, por ter ído em uma dentista vagabunda, tive dois canais, desde então escovo os dentes feito doida, para não perder mais nenhuma polpinha de dente.
    quanto ao siso, tirei dois, pensa na dor, e o pior é que um deles estava com a raiz torta dentro da gengiva, o bucomaxilar, era enorme, e se jogava em cima de mim para tirar todos os pedaços, a cada arrancada eu pensava, agora ele deslocou meu maxilar…
    terrível!!!

  2. 2 Andreia

    Vc trocou por resina? Se foi é assim mesmo. Eu fiquei com os dentes mais sensíveis depois que troquei as pretinhas por resina, fora que elas são menos resistentes.
    Conheço gente que não escova o dente e não tem nada. INVEJA.

    Bjs

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