A priorização das coisas

As urgências e as emergências da vida.
Eu ando meio cansada da banalização do conceito de urgente e emergente.
Fazendo uma rápida e tosca viagem na helmann’s airline antropológica. Antigamente, quando o trabalho era braçal, você tinha que fazer coisas, construir coisas. Hoje, com as máquinas e as tecnologias, a gente tem mais tempo para pensar. Ligando os pontos rapidamente, todo mundo sabe que hoje o trabalho intelectual é supervalorizado ante o braçal – ainda que ninguém viva sem um pedreiro, sem um eletricista, e alguns até sem faxineira não vivem.
As idéias ganharam muita importância.
Meu trabalho é 90% intelectual e apena 10% braçal (ou digital, visto que eu só uso os dedos para digitar). Quando muito, pernal também, que é quando eu tenho que atravessar a sala para pegar alguma coisa na impressora.
E eu produzo idéias. Eu produzo textos que dizem que o pão da minha padaria é o melhor, tem mais vitaminas, é o mais fofinho. Já escrevi muito para dizer que a Sucursal do Inferno, o meu ex-emprego, era ótima. Também já ajudei muito a vender jornal, programa de TV, de rádio.
Eu não vou nem entrar no mérito se isso é verdade ou não, porque não interessa. Eu sou paga pela minha competência de escrever bem isso. A questão é quando o que eu produzo tem que ser produzido PARA ONTEM. Com toda a urgência do mundo. Que não pode ser publicado no dia seguinte.
Aí a gente volta para o assunto deste post.
Por que?
Por que dizer que esse tipo de informação fria é urgente?
Urgente é o trabalho de um médico, de gente, de bicho, num plantão no PS. Ou o trabalho de um bombeiro ou policial ante um incêndio ou assalto. Urgente pode até ser o trabalho de um jornalista que está cobrindo tais emergências, em comunicar ao público o mais rápido possível (também vou pular a parte onde alguém discutiria o sensacionalismo, que não é o foco deste post). Mas um texto frio… qual a emergência disso?
As pessoas se apegam tanto ao valor da idéia
E eu não fico só no exemplo do meu trabalho não. Eu falo também dos emails que a gente recebe do site de tricô. “quero uma receita de uma blusa tamanho 44 com lã sedificada URGENTE!”. É urgente por que? A pessoa é uma doente de câncer em estado terminal cujo último desejo é tricotar uma blusa tamanho 44 com lã sedificada?
Desculpa, mas para fazer uma blusa, ainda com modelo simples, você gastaria aí uns 5 dias (pensando que vc não vai fazer mais nada na vida que não seja tricotar). Cinco dias não se caracteriza urgência. Então, mude a palavra. Use por favor.
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Eu estava chorando aqui no trabalho anteontem, falando com a vet sobre o resultado dos exames da Nina. Aí depois eu me levantei e fui para uma reunião para resolver um problema sério.
A cara vermelha, os olhos inchados, entrei na reunião todo mundo olhou para mim com cara de “o que ela tem?”. Eu falei normalmente sobre a minha parte na reunião, acertamos as pontas e eu voltei para a minha mesa.
Aí veio uma colega, me consolar, dizer para eu não ficar assim. Eu perguntei: “Você está achando que eu estou chorando por causa do trabalho?”.

- E não é não?
- Não. Eu não choro por causa de trabalho. Trabalho é importante, eu vou fazer o meu melhor sempre que puder, mas eu nunca vou gastar uma lágrima que seja por causa disso.
- E o que você tem, então?
- É que vou ter que sacrificar a minha gata sábado.


2 Responses to “A priorização das coisas”

  1. 1 telinha

    ô, querida.

  1. 1 As informações sobre os Primeiros Socorros » Blog Archive A priorização das coisas

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