Estava tanto calor na semana passada que eu até tinha me esquecido que fazia frio em São Paulo.
Coincidentemente, ou não, andei meio mole esses dias. Sem vontade, com sono. Também coincidentemente ou não, a moleza se deu quando eu mudei de função no trabalho justamente quando uma bomba estava explodindo e a gente, na impossibilidade de impedir a explosão, tinha que trabalhar o mais rápido possível para evitar que a desgraça se alastrasse. Sabem aquele filme Deep Impact, quando os astronautas têm que explodir o cometa e, para evitar o completo fracasso da missão e conseqüentemnete deixar que o planeta se acabasse eles jogam a nave contra o cometa e assim, apenas uma parte pequena se choca contra a terra, mas sobram vários humanos para repovoá-la ainda? Era tipo isso.
Mas vamos voltar ao ponto. Ao ponto moleza.
Pois sim. Bateu vontade de ficar deitada, não dormindo, mas quieta, sem fazer nada.
Não fui correr desde sexta-passada, desliguei o telefone algumas vezes. O corpo deu uma reclamada. Perdi a voz no sábado, o nariz respingou. Comi mais chocolate, menos rúcula também. Era aquele pensamento “ah, não me enche o saco”, acompanhado também de um sentimento de culpa doído, por “não estar sendo produtiva” e está enrolando para cumprir as obrigações de todos os dias.
Foi assim. Até hoje.
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Mas eu acho que ontem eu tive uma luz sobre esse cansaço “sem motivo”. Ele tem motivo de ser.
Quando a professora de inglês me perguntou about what I’ve done that morning e eu comecei a dizer que já tinha lavado o banheiro, alimentado as gatinhas, limpado as caixas de areia, varrido o chão, tomado banho, me arrumado para o trabalho, estava no meio de uma aula de inglês que havia começado às 7h30 e ainda eram 8 horas da manhã, eu entendi que possivelmente a maioria das pessoas não tinham feito metade do que eu tinha feito, ou, arrisco, sequer levantado da cama ainda. Aí eu acho que relaxei um pouco.
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São tantas as “coisinhas miúdas” que a gente faz sem perceber: arruma um armário, toma um comprimido, lava alguma louça, lembrar de comprar queijo no supermercado, abaixa para pegar um livro que caiu no chão, pega o pano para limpar um pingo de iogurte da pia, se lembra de pagar uma conta, coloca os pedaços de ração de volta no prato, não pode esquecer de pagar a conta, não pode esquecer da reunião às 9h30, não pode esquecer de ligar para alguém que faz aniversário, não pode esquecer de marcar a vacina das filhas, afofa um gato, afofa outro gato, levanta para abrir a torneira da pia para outro gato beber água…. Nenhuma dessas tarefas gasta muito atp, mas somando coisas assim eu tenho certeza que queimo alguns neurônios organizando, planejando, ajeitando, olhando o relógio para cumprir a agenda.
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E hoje as coisas meio que retomaram o curso.
continua frio, mas eu pulei da cama com o nariz respingando às 6h e fui para a academia. Cheguei para correr 3km a título de reacostumar o corpo em repouso há tantos dias, mas foi começar a correr para eu reestabelecer a meta de 4km. Terminei tendo corrido 5,5km no tempo de sempre.
Tomei café da manhã direitinho, embora tenha um pote de sorvete de creme com passas no freezer. Não trouxe frutas porque acabou, mas também não comi geléia.
And life goes on.
E sem falar das coisas que a gente “acha” que tem que fazer: estudar, ganhar mais dinheiro, estar sempre linda e maravilhosa, escrever no blog todos os dias…