Journalist, cat lover, knitter, ballerina wannabe, a kind of nerd. Loves her Panda and their cats

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Monday, May 31st, 2010

Destino: Curitiba

Mais uma edição do Tricotour ou Tricoteiras on the Road. Nesse feriado acontece o II Encontro Nacional de Tricô em Curitiba. Embora marcado desde o ano passado, só agora, há pouco mais de três semanas, foi que eu consegui saber exatamente se poderia ir. E poderei.

Na programação, tricô em todas as suas variações, workshops, concursos, fofoca. Mas também sobrará tempo para passeios pela cidade.

Estou reservando a sexta para encontrar a Alice, minha amiga da lista gatos, que nem só de tricô vivem os meus interesses. De gato, também. (E um monte de outras coisas, é preciso dizer).
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Pausa na Valsa de Amélie, que já está decorada e agora a gente trabalha a parte da interpretação, que é uma partezinha bem complicadinha. Mas como eu já estava enjoando, peguei outra para aprender. “Os Barqueiros Passam”, de Francisco Mignone, que é outra bem tristezinha também. (O Panda ouve e diz que quer se matar).

Atrasei um pouco porque não conseguia ler a partitura, mas aproveitei que o Panda viajou na semana passada para me concentrar nela. Seis horas depois, voilá, já está decorada, faltando, como sempre, a interpretação. Aí eu apresento para o Tunico, ele ouve, manda eu fazer assim, fazer assado, botar uns stacatos onde não tem, uns legatos invisíveis e vira outra coisa. Quem sabe, sabe.
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Os zoinhos vão bem para ver de longe. Para ver de perto, ainda está complicadinho. Embaçado, as letras saem do lugar. Andei esquecendo o colírio e paguei caro, os olhos ardendo. Mas já me lembrei e tudo está tranquilo de novo.

Thursday, May 6th, 2010

Pianando

Depois de três minuetos, o professor de piano me liberou e não vou precisar tocar os outros seis.

Graças a Deus, porque sinceramente minuetos não fazem muito a minha cabeça. São muito “bobinhos alegrinhos”. Gosto mesmo é de uma peça mais dramática, mais sofrida, que quando acaba você está exaurido de emoções. Um exemplo prático, Sonata ao Luar de Bethoven. Ou todas aquelas músicas de filme que eu citei outro dia.

Pois bem. O professor me liberou porque ele, palavras dele, já viu do que eu sou capaz. E me deu um desafio: tocar a Valsa de Amélie, da trilha sonora do filme. Com pedal e tudo. E usar pedal é coisa para dá um nó no cérebro.

Uma coisa que eu gosto demais nesse professor é que ele pensa por si mesmo, quero dizer, quando ele acha melhor, ele muda a partitura ou muda a interpretação. Não está escrito lá, mas ele acha que fica melhor e… não é que fica mesmo?

Essa é justamente a parte que falta em mim, sensibilidade artística. Eu me preocupo com técnica, com posicionamento das mãos, com o tempo certo das notas (embora não tenha me acostumado ao metrônomo ainda e nem sei se vou), mas me falta saber colocar personalidade na música.

Talvez quando eu melhorar a parte técnica eu me sinta segura o suficiente para ousar na interpretação, mas isso também me soa um pouco como desculpa. Fato é que eu estudo, estudo, tiro a música inteira e ela fica de um jeito. Quando eu mostro ao professor, ele modifica isso, aquilo, pede ênfase numas notas, umas ligaduras noutras e no final parece que é outra música.

Bom, ele tem quase 30 anos de estudo, né? Vamos parar de me criticar porque eu tenho só 5, e olhe lá.
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Livrar-se de um vício é difícil. E se torna mais difícil quando ninguém acredita que seja um vício.

Se eu falasse que queria largar o cigarro, todo mundo ia ser solidário. Mas quando eu falo que é para largar do açúcar, as pessoas acham que é “muito radicalismo”, que não comer açúcar não vai me fazer viver mais.

Também acho que não vou viver muito mais do que uma pessoa que come, mas a minha questão aqui é viver sem precisar tomar remédio para enxaqueca, alergias e depressão. E eu preferiria não precisar de remédio para viver.

“A saúde é subversiva porque não dá lucro para ninguém”, li por aí outro dia. Acho que no blog da Sonia Hirsch.
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Sim, eu como açúcar. Eu ainda estou lutando contra isso e, por enquanto, ele tem ganhado.

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Thursday, April 22nd, 2010

Então, emprego novo

Acordei cedinho,tomei banho, me arrumei e peguei o metrô. Devia ter feito baldeação na Sé, mas me recusei. Detesto a muvuca lá.

Desci na São Bento, cruzei o Anhangabaú, subi pela São João, passei por dentro da Galeria do Rock e continuei subindo pela 24 de Maio, até a Praça da República. Como eu gosto de trabalhar no Centro de novo!

Digam o que quiser, que é feio, sujo, decadente. Se eu pudesse, moraria na Av. São Luís, naqueles mega apartamentos super antigos, com certeza cheio de problemas hidráulicos e elétricos, mas que não me fariam sofrer de claustrofobia.

Estou aqui ainda caçando o que fazer. Fiz um mapa de um site, anotei umas questões, rabisquei uns esquemas, li um monte, descobri onde fica a copa e o banheiro, bati papo com a secretária, já tenho senha de administrador e as coisas caminham.
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Em tempo: por que a gente feria no dia da morte de alguém mas tem que trabalhar normalmente no dia Mundial da Terra e no dia do Descobrimento do Brasil?

Não faz o menor sentido para mim.
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Já decidimos a musiquinha do Hermeto que eu vou aprender ao piano. “O Ovo”.

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Wednesday, April 14th, 2010

The first piano class

Seguindo indicação da minha amiga tricoteira psicóloga lesminha cegueta saltitante Sonia Augusto, entrei em contato com o Antônio Vaz Lemes, o Tunico, pianista e professor nas horas vagas.

Por mais que eu tenha praticado no fim de semana, obviamente o resultado seria, como de fato foi, desastroso. Vergonhoso, eu diria, porque para mim é difícil admitir não saber algo, ainda mais sendo por esquecimento. Mas é isso mesmo. Recomeçar é preciso, n’est-ce pas? Já falei sobre isso aqui. 

Batemos um longo papo antes, para nos conhecer. Falei porque eu vim para São Paulo, o que eu fazia, o que eu gostava, onde eu vou trabalhar. Ambos gostamos do centrão da cidade e aptos antigos e amplos. Depois mostrei algumas peças que eu gosto, na esperança de que as que eu venha estudar sigam essa linha. Falei que detesto rock progressivo, jazz e qualquer outra música tipo “punhetação sem fim”. Gosto de música dramática, com começo, meio e fim como se contasse uma história – descobri ontem que meu estilo é minimalista. Ele explicou porque, mas de toda a explicação eu só me recordo da parte que ele falava que era um negócio meio hipnótico e variações dentro do mesmo acorde. Para entender melhor, procure a música The Heart Asks Pleasure First, do Michael Nyman para a trilha sonora do filme O Piano.

Por fim, tive que tocar. Toquei uns trechinhos das peças que tinha mal e mal preparado, ele elogiou o posicionamento das minhas mãos, forjado com muito esforço no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno, com a tia Cira Leona, de quem eu guardo as melhores lembranças, uma das melhores professoras que já tive na vida. Fizemos uns exercícios (escola de si maior: si, do#, ré#, mi, fá#, sol#, lá#, si), porque Bethoven disse que essa escala é a que seria mais anatomicamente confortável para as mãos (=o pianista faz menos esforço para tocá-la), com estudo das passagens dos dedos. Ficou como dever de casa, para eu treinar e ganhar tônus e regularidade. 

Por fim, a parte divertida: escolher o repertório. Como estou começando e estou muito ansiosa, combinamos de eu estudar uns minuetos de um tal de Johann Wilhelm Hässler, que eu não conhecia ainda. Os minuetos, nove ao todo, são curtíssimos. Alguns não têm mais que meia dúzia de compassos. Mas assim eu conseguirei ver algum resultado logo e me acalmar. Fora que não é porque são curtos que sejam fáceis. Tem mil coisinhas para ajustar, a começar pela dinâmica, porque eu nunca fui boa nisso.

Além desses minuetos, pensamos também numa peça contemporânea. Não entramos muito em detalhe nessa, ficou para ser decidida depois, mas acho que vai ser outra música d’O Piano, Big My Secret, se eu puder escolher. Por último, uma peça brasileira. De cara, disse que bossa nova eu não tocava nem a pau. Acho chato e sem graça. Pensei no Chico, ele pensou em Villa-Lobos. Aí, eu me lembrei de Hermeto Paschoal. Fui a um show dele anos atrás, quando ainda morava em Fortaleza, e simplesmente amei. Agora estamos procurando uma peça dele. 

E é isso. Como dever de casa, a tal da escala de si e o primeiro dos nove minuetos, des. E terça que vem tem mais. 

>> Saiba quem é o Tunico: www.myspace.com.br/antoniovazlemes

>> O Tunico em ação:

Fauré – Noturno opus 119 (o vídeo tem uns dois anos)

Poulenc – Mélancolie  (outubro de 2009)

  • Fotos
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